SOCIEDADE DE CONSUMO X SUSTENTABILIDADE: UMA DISCUSSÃO.

Renata Cristina Barreto (Docente Geografia)

O pensamento humano, a partir do domínio de várias áreas, tem se sentido muito autossuficiente, buscando como satisfação, apenas o apego material e o dinheiro, sendo o hiperconsumo o principal reflexo, desse processo de economia de mercado onde a inversão de valores é uma realidade.

O modernismo acelera a vida, os anseios e juntos a eles aceleram-se também as ações de degradação ambiental e social. Sabemos então, que a preocupação com a qualidade de vida foi sendo deixada para trás em prol do consumo exacerbado, da busca incessante de saciar os desejos. A sociedade de consumo tem como primeiro plano, a saciedade de desejos cada vez mais efêmeros, são ilusões apontadas como solução de uma vida cada vez mais egoísta e massificada nessa estrutura cheia de sintomas.

SOCIEDADE DO CONSUMO E SUTENTABILIDADE

A preocupação com a qualidade de vida foi sendo deixada para trás em prol do consumo exacerbado, da busca incessante de saciar os desejos pueris. Esse conflito é o reflexo do crescimento econômico, imediatista voltado à banalização do que realmente corresponde a qualidade de vida.

Essa economia de mercado tão difundida no século XIX fez crescer a compulsão pelo consumo de mercadorias e também da criação constante de novas necessidades a sociedade. Assim, a população está sempre a mercê de novos produtos criados a todo tempo, a exemplo das novas tecnologias. O tempo e espaço passam a ser refletido de outra forma, pois as distancias físicas foram reduzidas, assim como o tempo de acesso até os lugares. A distribuição de produtos passa a ser mais rápidas, para atender as demandas que vão aumentando junto aos novos produtos criados pelo mercado.

As marcas de produtos de mercado carregam o poder de exclusão, pois cria a ideia de elitização, impondo suas modas e atos culturais, através de grifes famosas. A sociedade começa então, a apresentar-se cada vez mais egoísta, onde a individualização aparece, como consequência da compulsão pelos desejos que são bombardeados a todo tempo pelos veículos de comunicação. Portanto, a moda e suas marcas passam a apresentar-se como um elemento de distinção de classe. Esses novos valores, visam confundir a sofisticação com a futilidade, estimulando o consumismo desenfreado cheio de egoísmo. O sentido da felicidade está ao redor do “ter” para “ser”; nas decisões, discussões, não são mais consideradas as individualidades, as verdadeiras necessidades. O que se sabe, é que nunca se viu tanto no decorrer da história como nesse século, a ideia do homem deixar de se apresentar como sujeito, e passar a estar à mercê das mercadorias. E são elas, com todo o poder delegado pela sociedade, que passam a comandar seus desejos, suas horas e seus desafios.

Nessa retórica, os produtos descartáveis são vistos como imediatistas, e apresentando-se com moldes práticos e modernos. Eles são planejados a parar de funcionar, ou caírem no mundo dos obsoletos, em um curto período de tempo. Eis aí os pros e contras da modernidade, que ao evidenciar a importância da criação e aquisição de novos produtos, sempre nos trouxe consigo um caráter consumista e apático ao bem-estar social e ambiental, principalmente se levarmos em conta o aumento de lixo industrial, e de produtos tecnológicos ociosos. É inegável a necessidade cada vez maior, de que essas práticas devam ser combatidas.

Sabemos que as áreas verdes têm perdido seu espaço para asfaltos e prédios, em outras áreas a terra é utilizada para pasto, ou outro tipo de cultura que devasta o solo. Essa pratica tem levado ao encarecimento dos alimentos, a diminuição de áreas verdes e como consequência menor qualidade de vida a população. Os países devem valorizar as áreas onde são produzidos alimentos, além de utilizar os recursos renováveis de forma consciente, mantendo a sustentabilidade. Sendo assim, os movimentos ambientalistas trouxeram grandes discussões a respeito dos graves problemas relacionados ao meio ambiente, e a necessidade de se criar a visão de sustentabilidade ambiental. As guerras por posse de territórios, pelo petróleo, e por outros recursos naturais como a água se configuram como exemplos, das consequências desse processo. A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida também como Cúpula da Terra ou Rio 92, veio esclarecer que, no final do século passado a questão ambiental já estava ultrapassando os seus limites, e trazendo muitas consequências graves. Nessa conferência, realizada no Rio de Janeiro, foram produzidos diversos documentos internacionais: Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; Agenda 21; Princípios para a Administração Sustentável das Florestas; Convenção da Biodiversidade; Convenção sobre a Mudança do Clima.

Ultimamente existe a necessidade de que a realização da sustentabilidade se baseie numa mudança de modelo de economia. Mesmo que esse objetivo se alcance em longo prazo, é necessário que, a nossa economia se torne mais consciente, mais voltada à preservação, para que consigamos atingir esse objetivo. Para isso, a economia verde deve ser inclusiva, é preciso considerar igualmente os setores econômico, social e ambiental deixando sempre a sempre os ideários da sustentabilidade. O principal objetivo do consumo consciente é levar ao desenvolvimento econômico buscando também a igualdade social, procurando a erradicação da pobreza e melhoria do bem-estar dos seres humanos, diminuindo os impactos ambientais e a escassez ecológica. O ser humano está aqui para evoluir e saber lidar com os possíveis problemas que assolam o meio ambiente, pois o consumo, o comportamento de rebanho (eu posso tudo) a irresponsabilidade tem trazido grandes transtornos para nossas vidas, nesse mundo de desenvolvimento exclusivo e desumano.

Dessa forma, o correto posicionamento das empresas deve ser buscado, não por causa da sociedade, mas também por meio do respeito ao meio ambiente, e da qualidade e competitividade de seus produtos. De fato, a educação ambiental, se mostra de extrema necessidade para que se evite esse desperdício tolo, onde os indivíduos procuram a todo tempo o acumulo de objetos desnecessários, através de um consumo feito de forma irracional, e que estimula o aumento da utilização predatório dos recursos naturais.

CONCLUSÃO

O desenvolvimento econômico e tecnológico é de grande importância, no entanto, não pode tornar-se o foco principal, norteando a sociedade e ignorando a natureza e o senso de humanidade.

Com a ciência e tecnologia se tornando poluente da vida, e da consciência, cria dramas existenciais nas sociedades, por não ser acompanhada pelos valores de sustentabilidade. Devemos acreditar que, o ideal de autoconhecimento, e de sustentabilidade é uma preciosa meta, estimulante para os seres humanos, cansados de uma época esbanjadora e destrutiva.

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